Custos
Quanto custa remodelar uma cozinha em Lisboa, Setúbal e Oeste
Remodelar uma cozinha em Lisboa, Setúbal ou no Oeste custa, na nossa tabela, entre 6.500 e 32.000 € para uma divisão de referência de 9 m², que é a área corrente numa cozinha de T2 ou T3. Os valores são chave na mão: incluem a obra, os móveis, a bancada e os eletrodomésticos.
Esse intervalo é largo por uma razão que vale a pena perceber antes de olhar para qualquer orçamento. Numa cozinha, ao contrário do que acontece noutras divisões, a obra é a menor das quatro parcelas do custo. O que faz um orçamento saltar de um nível para o outro não são as paredes, são as escolhas de mobiliário e de equipamento.
Os três níveis e o que cada um inclui
| Nível | Móveis e bancada | Eletrodomésticos | Preço (9 m²) | Prazo |
|---|---|---|---|---|
| Económico | Base IKEA Metod ou Delinia, frentes em laminado, bancada em laminado postformado | Whirlpool ou Balay de entrada, exaustor com filtro de recirculação | 6.500 a 9.500 € | 20 a 30 dias |
| Médio | Metod Premium ou carpintaria simples, frentes mate lisas, bancada em quartzo (Silestone ou Compac) | Bosch série 4 ou Siemens iQ300, exaustor com saída para o exterior | 11.000 a 17.500 € | 25 a 40 dias |
| Premium | Carpintaria de autor lacada, puxadores embutidos, bancada em Dekton ou Silestone Eternal | Siemens iQ500, AEG ou Miele de entrada, iluminação LED integrada | 19.000 a 32.000 € | 35 a 55 dias |
Os três níveis diferem em duas coisas ao mesmo tempo: no material e no método. O económico e o médio assentam em módulos de medida standard, montados em fábrica e ajustados em obra. O premium parte de carpintaria feita à medida da divisão, o que muda o prazo tanto quanto muda o preço.
Para referência externa: uma empresa portuguesa de remodelação publicou, para 2026, intervalos de 6.000 a 10.000 € numa cozinha básica, 10.000 a 18.000 € numa intermédia e a partir de 18.000 € numa premium. Os três intervalos que praticamos ficam dentro desses, o que dá alguma confiança de que não estamos nem a inflacionar nem a prometer valores que não se cumprem em obra.
Para onde vai o dinheiro numa cozinha
Esta é a parte que raramente aparece nos guias de preços, e é a que permite ler qualquer orçamento com olhos diferentes. A repartição abaixo é o nosso modelo de trabalho para uma cozinha de nível económico com 8 a 10 m², construído a partir de preços unitários de mercado (armários por metro linear, bancada por m², gamas de eletrodomésticos). Não é um estudo de mercado nem uma média do setor: é a forma como as contas nos saem, e serve para dar ordem de grandeza a cada capítulo.
| Capítulo | Peso no total |
|---|---|
| Móveis e bancada | cerca de 40% |
| Obra (demolição, canalização, eletricidade, revestimentos) | cerca de 30% |
| Eletrodomésticos | cerca de 22% |
| Iluminação e extras | cerca de 8% |
Duas consequências práticas saltam à vista.
A primeira: a obra é menos de um terço da conta. Quem pede um orçamento a um empreiteiro e recebe um valor só de obra está a ver uma fração do que vai gastar. É a origem mais comum da surpresa a meio do processo, quando chega o orçamento dos móveis.
A segunda: os eletrodomésticos pesam quase tanto como a obra inteira. E são o capítulo com maior amplitude de escolha, o que os torna a variável mais fácil de usar quando é preciso ajustar um orçamento em qualquer direção.
Convém dizer que esta repartição é a de uma cozinha de entrada. À medida que se sobe de nível, o peso desloca-se: a carpintaria por medida e os eletrodomésticos ganham terreno, e a obra, que é praticamente a mesma em qualquer nível, passa a representar uma fatia cada vez menor.
Porque é que a mesma cozinha custa 6.000 € ou 30.000 €
No mercado português encontram-se referências que vão, grosso modo, dos 6.000 aos 30.000 €, e num ponto os guias concordam com a nossa experiência: ambos os extremos podem ser trabalhos bem feitos. Não é uma questão de qualidade de execução, é de onde se coloca cada euro.
Três decisões explicam quase toda a diferença.
A bancada. É o exemplo mais nítido. Uma bancada em madeira ou laminado começa perto dos 80 €/m, enquanto um aglomerado de quartzo do tipo Silestone ou Compac arranca nos 250 €/m. Em números concretos publicados no mercado, a mesma bancada de 3,6 m fica em cerca de 180 € em madeira e em cerca de 550 € em mármore. Numa cozinha corrente, esta escolha isolada move o orçamento em vários milhares de euros quando se somam metros e remates. Se é aqui que está a hesitar, comparámos laminado, quartzo e granito com preços portugueses reais, e dizemos em que casos o upgrade não compensa.
Os eletrodomésticos. É aqui que a amplitude é maior de todas. A diferença entre um forno de gama média e um de gama alta pode ser de 2.000 a 5.000 € num único equipamento. Multiplicado por placa, forno, exaustor, máquina de lavar loiça e frigorífico, o capítulo dos eletrodomésticos pode sozinho custar mais do que toda a obra.
O método do mobiliário. Modular de fábrica ou carpintaria por medida. A segunda resolve divisões difíceis e aproveita pé-direito e cantos que a modular obriga a preencher com painéis de remate, mas tem outro preço e outro prazo.
Para reter Antes de comparar dois orçamentos de cozinha, confirme se ambos incluem os mesmos quatro capítulos: obra, móveis, bancada e eletrodomésticos. Um orçamento só de obra e um orçamento chave na mão podem descrever a mesma cozinha e diferir em três vezes no total. O número por si não diz nada.
O que faz o preço subir dentro do mesmo nível
Mudar a implantação. Manter a banca e a placa onde estão é o cenário mais barato, porque se aproveitam os pontos de água, esgoto e eletricidade existentes. Deslocá-los obriga a refazer traçados com a inclinação certa e a abrir pavimento.
A forma da cozinha. Uma cozinha linear não tem sobrecusto. Um L acrescenta um módulo de canto, um U acrescenta dois. Uma península ou uma ilha vão mais longe: na nossa tabela, uma ilha acrescenta cerca de 650 € só pela extensão de água e eletricidade até ao centro da divisão, e a esse valor somam-se ainda os módulos e a bancada da própria ilha, que não são pequenos. Referências de mercado situam uma ilha completa entre 3.000 e mais de 10.000 €, o que dá a medida de quanto disso é mobiliário e não infraestrutura.
Passar de gás para indução. Implica a remoção e a selagem certificada da conduta de gás e um circuito elétrico dedicado novo. É trabalho previsível, mas é trabalho.
O estado da instalação elétrica. Uma cozinha atual pede circuitos separados para forno, placa e tomadas. Num quadro antigo sem essa separação, o reforço deixa de ser opcional a partir do momento em que se instala uma placa de indução.
A extração. Ligar o exaustor a uma conduta partilhada já existente é o caso mais comum e mais barato. Recircular com filtro de carvão é a alternativa quando não há saída possível. Abrir uma saída nova para o exterior é a opção mais cara e a única que envolve a fachada do edifício.
O estado das paredes. Em construção antiga, é frequente ser preciso regularizar as paredes antes de assentar revestimento. É trabalho que não se vê no resultado final e que só se confirma quando se retiram os móveis antigos.
O prazo, e o intervalo de que ninguém avisa
A execução da obra de uma cozinha ronda as três semanas em muitos casos, e o que mais tempo consome são as demolições, as alterações e a colocação dos revestimentos. Os nossos prazos por nível (20 a 30, 25 a 40 e 35 a 55 dias) já contam com a coordenação entre especialidades e com a montagem.
Há, no entanto, uma particularidade da cozinha que apanha muita gente de surpresa, e que não aparece nos prazos publicados.
A bancada só se mede depois dos móveis montados A sequência é obrigatória: os módulos são instalados e nivelados primeiro, e só então se medem as dimensões reais para produzir a bancada. Depois dessa medição, a bancada ainda tem de ser fabricada e entregue. Ou seja, há um período em que a cozinha já tem armários no sítio mas continua sem superfície de trabalho, sem banca ligada e sem placa instalada. É normal, não é atraso, mas convém saber antes de planear o regresso a casa.
Este intervalo é uma das razões pelas quais o prazo útil de uma cozinha é sempre maior do que o prazo de montagem, e liga-se ao ponto mais geral sobre a diferença entre o tempo de obra e o tempo de processo.
O IVA, e porque é que numa cozinha pesa mais
Os intervalos deste guia são o valor final a pagar, com IVA incluído. A forma como a taxa se compõe interessa sobretudo para comparar propostas. A verba 2.27 da Lista I anexa ao CIVA prevê taxa reduzida para empreitadas de renovação em habitação: aplica-se à componente de mão de obra, enquanto os materiais seguem a taxa normal a partir do momento em que passam de 20 % do valor da factura. A factura tem de discriminar as duas parcelas, identificar o dono da obra e o imóvel e levar a menção da própria verba. Numa cozinha, esta regra pesa mais do que noutra divisão: os móveis de cozinha e os eletrodomésticos estão entre os bens excluídos da taxa reduzida, e num orçamento chave na mão como os desta tabela representam a maior fatia do total. Um orçamento sério discrimina isto linha a linha; se uma proposta apresentar só um valor global sem indicar taxa, é isso que deve perguntar primeiro.
Como usar estes números
- Comece pelo âmbito, não pelo valor. Decida primeiro se mantém a implantação atual ou se muda a posição da banca e da placa. Essa decisão isolada separa mais orçamentos do que a escolha de materiais.
- Trate os eletrodomésticos como um capítulo à parte. São quase um quarto do total e a variável mais fácil de ajustar sem tocar no resto do projeto. Se o orçamento apertar, é aqui que se ganha margem sem perder qualidade de obra.
- Escolha a bancada cedo. É o material com maior impacto no total e o que tem prazo de fabrico próprio depois de medido.
- Some o intervalo da bancada ao calendário. Conte com dias entre a montagem dos móveis e a cozinha ficar utilizável.
Se está a remodelar a cozinha dentro de uma obra maior, os preços por m² para o apartamento inteiro ajudam a enquadrar o peso desta divisão no total: a cozinha e a casa de banho são as duas divisões com maior densidade de trabalho por metro quadrado, e por isso as que mais deslocam um orçamento global.
O valor fechado, com os quatro capítulos discriminados, confirma-se depois de visita ao local, antes de a obra arrancar.
Perguntas frequentes
Numa cozinha de referência de 9 m², que é a área corrente de um T2 ou T3, trabalhamos com três intervalos: 6.500 a 9.500 € no nível económico, 11.000 a 17.500 € no nível médio e 19.000 a 32.000 € no nível premium. Estes valores são chave na mão e incluem obra, móveis, bancada e eletrodomésticos. Numa cozinha maior, a parte que sobe é sobretudo a dos móveis e da bancada, que acompanham os metros lineares.
Nos nossos valores, sim. É a diferença entre um orçamento chave na mão e um orçamento só de obra, e é a principal razão pela qual os preços que se encontram online não são comparáveis entre si. Se preferir manter os eletrodomésticos que já tem, ou comprá-los por fora, ajustamos o orçamento em conformidade.
Entre 20 e 30 dias no nível económico, 25 a 40 dias no médio e 35 a 55 dias no premium. Convém contar ainda com o intervalo entre a montagem dos móveis e a colocação da bancada, porque a bancada só é medida depois dos móveis estarem no sítio e demora depois a ser fabricada. Nesse período a cozinha já tem armários mas ainda não se usa.
Vale, quando a estrutura dos móveis está sã e a implantação funciona. É a intervenção com melhor relação entre custo e resultado visível, e situa-se claramente abaixo do nosso nível económico. Deixa de fazer sentido quando os módulos estão inchados por humidade, quando as ferragens já cederam ou quando o objetivo é mudar a posição da banca ou da placa.
Porque uma ilha não é só um móvel ao centro. Se levar banca ou placa, é preciso estender água, esgoto e eletricidade até ao meio da divisão, o que implica abrir o pavimento. Na nossa tabela, essa alteração de infraestrutura acrescenta cerca de 650 € ao orçamento, valor ao qual se somam ainda os módulos e a bancada da própria ilha, que não são pequenos.
Depende da divisão, não do gosto. Numa cozinha com paredes direitas e medidas correntes, a modular resolve com melhor preço e prazos mais curtos. Por medida compensa quando há desníveis, vãos irregulares, tetos altos a aproveitar ou pé-direito e cantos que a modular obriga a preencher com painéis de remate. É também por isso que a diferença entre os níveis não é só de material, é de método.
Incluem: os intervalos desta tabela são o valor final a pagar. Vale a pena saber como a taxa se forma, porque muda a comparação com outras propostas. A verba 2.27 da Lista I anexa ao CIVA prevê taxa reduzida para obras de renovação em habitação, aplicada à componente de mão de obra; os materiais seguem a taxa normal a partir do momento em que passam de 20 % do valor da factura, e a factura tem de discriminar as duas parcelas em separado. Numa cozinha isto pesa mais do que noutra divisão, porque os móveis de cozinha e os eletrodomésticos estão entre os bens excluídos da taxa reduzida e, num orçamento chave na mão, são um capítulo grande. A taxa que fica para a sua obra aparece discriminada no orçamento, antes de assinar.
Quer um número real para o seu caso?
Os valores acima são referências de mercado. O seu orçamento fixo, por escrito, é confirmado depois de vermos o espaço.