Materiais
Bancada de cozinha: laminado, quartzo ou granito, e quando o upgrade compensa
Uma bancada de cozinha colocada custa, em Portugal, entre 150 e 400 €/m², com uma média de 275 €/m². Estes números são do guia de preços do habitissimo.pt, atualizado a 10 de junho de 2026 e construído a partir de mais de 7.100 pedidos de orçamento reais — não é uma estimativa de catálogo.
Abaixo dessa escala fica o laminado, que se vende em tábua e não por m²: no IKEA, em julho de 2026, uma bancada JÄRSTORP de 2,46 m custava 39,99 €, e as gamas EKBACKEN e SÄLJAN andavam nos 65 a 75 € pela mesma medida. Dá qualquer coisa entre 16 e 40 € por metro linear.
É por isso que a mesma cozinha, com os mesmos móveis, pode ter uma bancada de 150 € ou de 2.400 €.
Quanto custa cada material
| Material | Preço colocado | Aguenta bem | Falha em |
|---|---|---|---|
| Laminado postformado | 16 a 40 €/m linear | Uso normal, riscos leves | Água nas juntas e à volta do lava-loiça |
| Madeira maciça | 40 a 200 €/m² | Reparação (lixa-se e volta ao novo) | Humidade constante; pede óleo de tempos a tempos |
| Granito | 90 a 300 €/m² | Calor, faca, uso pesado | É poroso: mancha se não for selado |
| Aglomerado de quartzo | 160 a 800 €/m² | Manchas, ácidos, uso diário sem manutenção | Calor direto: a resina marca e não recupera |
| Inox | cerca de 300 €/m² | Calor, higiene, água | Risca-se à vista e amolga |
Os valores de pedra, madeira e inox são da mesma fonte e mesma data. O intervalo do quartzo é largo porque inclui desde aglomerados simples até séries de autor.
Uma nota sobre marcas, porque é a pergunta seguinte: Silestone, Compac e Technistone são aglomerados de quartzo; Dekton e as porcelânicas são outra família, sinterizada a alta pressão, que aguenta calor bem melhor. Preços de Silestone com dez anos ainda circulam online; não servem de referência e não os incluímos.
Porcelânico, Dekton e madeira: as opções que ficam de fora
A comparação habitual é laminado contra quartzo contra granito. Há mais duas que merecem ser ditas, porque resolvem casos concretos.
Porcelânico e Dekton. São chapas sinterizadas a alta pressão, sem resina. Isso muda uma coisa importante: aguentam um tacho vindo do lume sem marcar, o que nem o quartzo nem o laminado fazem. Custam mais do que a maioria dos quartzos e têm uma fragilidade própria — são finos, e a aresta pode lascar com uma pancada seca. Numa cozinha onde se cozinha a sério todos os dias, é o material que menos se estraga com o uso.
Madeira maciça. Entre 40 e 200 €/m², é a única bancada que melhora com reparação: uma queimadura ou um risco fundo lixam-se e desaparecem, coisa impossível em quartzo. Em troca, pede óleo de tempos a tempos e não gosta de humidade permanente. Junto ao lava-loiça é sempre a zona de risco. Funciona bem numa ilha ou numa bancada de apoio, e mal como superfície única numa cozinha muito usada.
Uma palavra sobre espessura, porque aparece em todos os orçamentos: as chapas vendem-se sobretudo em 12, 20 e 30 mm. A espessura que se vê pode ser criada com um remate colado — uma chapa de 12 mm com aresta engrossada tem o aspeto de 30 mm e custa bastante menos. Não é batota, desde que esteja escrito no orçamento.
Para onde vai o dinheiro numa bancada
O preço por m² que vê anunciado raramente é o que paga. A fatura final divide-se assim:
A chapa. É a parcela que varia com o material e a que toda a gente compara. Numa bancada de quartzo anda pelos dois terços do total.
A mão de obra. Ronda os 50 €/m² e inclui medição, transporte e colocação. Numa cozinha pequena pesa proporcionalmente mais, porque a deslocação e a medição custam o mesmo em 3 ou em 8 metros.
Os furos. Lava-loiça, placa, tomadas de bancada. Cada abertura é trabalho de oficina e costuma ser cobrada à parte. Um lava-loiça sob bancada (por baixo, sem aro) dá mais trabalho do que um de encastrar por cima, e o preço reflete isso.
O remate. Aresta reta é o standard. Boleada, biselada ou com espessura aparente sobem o valor, porque exigem mais material e mais acabamento.
As juntas. Uma bancada em L ou em U raramente sai de uma peça só. Cada junta é um ponto de trabalho e, mais tarde, o ponto por onde a água tenta entrar.
Vale a pena reter Ao comparar dois orçamentos de bancada, confirme se ambos incluem furos, remate e colocação. É comum um deles ter só a chapa. A diferença entre os dois pode ser de 30 a 40% e não estar em lado nenhum à vista.
Um exemplo típico, linha a linha
Não é uma fatura nossa: é a conta que sai quando aplicamos os valores acima a uma cozinha em L de 4,2 metros lineares, num T2, com lava-loiça de encastrar e placa de indução. Em quartzo de gama média:
| Item | Valor |
|---|---|
| Chapa de quartzo, ~3,4 m² úteis | 810 € |
| Corte e furo para lava-loiça | 115 € |
| Corte e furo para placa | 90 € |
| Remate reto, 4,2 m | incluído |
| Medição, transporte e colocação | 195 € |
| Total | 1.210 € |
A mesma cozinha, em laminado postformado de loja com colocação, fica entre 180 e 260 €. A diferença — cerca de mil euros — é o valor real da decisão, e é sobre esses mil euros que vale a pena pensar, não sobre o preço por m².
Para referência, o habitissimo publica orçamentos reais que batem certo com esta ordem de grandeza: quartzo compacto em 10 metros por 2.400 €, granito em 5 metros por 600 €, mármore em 5 metros por 850 €.
Quando o upgrade compensa, e quando não
Aqui não há uma resposta única, e a resposta muda conforme o que vai fazer da cozinha.
Compensa quando a cozinha é sua e vai ficar. A vantagem do quartzo não é a estética, é o comportamento a dez anos: sem juntas visíveis à volta do lava-loiça, sem selagem periódica, sem inchaço se um copo ficar a pingar durante a noite.
Compensa quando a cozinha é aberta para a sala. Aí a bancada deixa de ser superfície de trabalho e passa a ser mobiliário à vista. É o único caso em que pagamos por aparência com boa consciência.
Não compensa numa cozinha para arrendar. Um inquilino não valoriza a bancada no valor da renda, e o laminado postformado aguenta perfeitamente um ciclo de arrendamento. É frequente ver senhorios a colocar quartzo e a não recuperar nada disso na renda.
Não compensa se for para vender já. Quem compra desconta o que não gosta e raramente paga a mais pelo que gosta. Uma cozinha limpa, funcional e sem defeitos vende; uma bancada cara não muda a proposta.
Não compensa se obrigar a cortar noutro sítio. Se a bancada de quartzo comer o orçamento da eletricidade ou da canalização, a conta está mal feita. O que fica escondido dentro da parede é o que dá problemas caros; a bancada, se um dia falhar, troca-se sem partir nada.
O que perguntar antes de assinar
Se o corte é a húmido ou com aspiração. Não é uma questão de qualidade do produto, é de segurança de quem o fabrica. O aglomerado de quartzo é dos materiais com maior teor de sílica cristalina, bastante acima da pedra natural, e o pó respirável de sílica está classificado como cancerígeno. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 102-A/2020, de 9 de dezembro, fixou o valor limite de exposição a 0,05 mg/m³ a partir de 1 de janeiro de 2023. Corte a húmido e aspiração são a forma corrente de cumprir esse limite, e uma oficina que os tem costuma ter o resto em ordem também. Para si, enquanto cliente, isto não muda nada em casa: uma bancada já cortada e instalada não liberta pó respirável. O risco existe no momento do corte, na oficina, e é de quem lá trabalha.
Onde ficam as juntas. Peça que lhe mostrem no desenho, antes de a chapa ir para corte. Uma junta bem colocada fica num sítio seco e passa despercebida durante anos; mal colocada fica ao lado do lava-loiça, e aí é só uma questão de tempo até começar a escurecer por baixo do silicone. Numa bancada em L é quase sempre possível escolher entre dois sítios — mas só antes do corte.
Se os furos estão incluídos. É o extra mais frequente.
Qual é a espessura real. Uma bancada de 12 mm com aresta engrossada parece de 3 cm mas não é. Não está mal, desde que saiba o que comprou.
Quanto tempo demora entre a medição e a colocação. A bancada só é medida depois de os móveis estarem montados e nivelados, e depois vai para fabrico. Uma a duas semanas é normal. Nesse período a cozinha tem armários mas não tem superfície de trabalho nem lava-loiça ligado, e convém saber isso antes de marcar o regresso a casa.
Como isto encaixa no orçamento da cozinha
Nas nossas contas, os móveis e a bancada juntos são cerca de 40% do orçamento de uma cozinha. A bancada sozinha é a fatia mais fácil de ajustar sem tocar em mais nada: não depende da obra, não depende dos eletrodomésticos, e decide-se tarde.
Nos nossos três níveis, a bancada acompanha o resto do projeto: laminado postformado no nível económico, laminado de qualidade média ou compacto no nível médio, quartzo ou granito com acabamento contínuo no premium. Não é uma regra rígida — já fizemos cozinhas de nível económico com bancada em pedra, quando era isso que fazia sentido para quem lá ia viver.
Se quiser ver o valor total antes de decidir o material, os preços por nível de uma cozinha completa mostram onde é que esta escolha pesa no conjunto. E se a bancada faz parte de uma obra maior, os preços por m² do apartamento inteiro ajudam a enquadrar.
O valor fechado, com a bancada discriminada à parte e os furos incluídos, é confirmado depois da visita, antes de a obra começar.
Perguntas frequentes
Colocada, o preço médio anda nos 275 €/m², com a maioria dos casos entre 150 e 400 €/m² (habitissimo.pt, guia de preços atualizado a 10 de junho de 2026, construído a partir de mais de 7.100 pedidos de orçamento reais). Por material, a mesma fonte dá 90 a 300 €/m² para pedra natural, 160 a 800 €/m² para aglomerados de quartzo, 40 a 200 €/m² para madeira e cerca de 300 €/m² para inox. O laminado fica fora desta escala: em tábua de loja anda entre 16 e 40 € por metro linear.
Depende de quanto tempo lá vai ficar. Numa cozinha para arrendar ou para vender no espaço de um ou dois anos, o laminado postformado faz o trabalho e a diferença de preço fica no seu bolso. Se é a sua casa e conta usá-la dez anos ou mais, o quartzo compensa por outra razão que não a estética: não tem juntas visíveis à volta do lava-loiça, e é aí que as bancadas morrem.
O granito é pedra natural, cortada de um bloco. O quartzo é um aglomerado: pó de quartzo ligado com resina. Na prática, o granito aguenta melhor o calor porque não tem resina, mas é poroso e precisa de ser selado de tempos a tempos. O quartzo não precisa de selagem e tem cor uniforme, mas um tacho vindo do lume pode deixar marca permanente. Nenhum dos dois é o melhor em tudo.
Não, e é aqui que muita gente se atrasa. A medição real faz-se com os móveis já montados e nivelados, e só depois é que a bancada vai para fabrico. Entre a medição e a colocação passam habitualmente uma a duas semanas, durante as quais a cozinha tem armários mas não tem superfície de trabalho nem lava-loiça ligado.
Não deve. A resina que liga o pó de quartzo não gosta de choque térmico, e a marca que fica costuma ser permanente. Nas de granito e nas porcelânicas o risco é bastante menor. Seja qual for o material, um descanso de tacho custa poucos euros e evita um problema que não tem reparação simples.
Três coisas: se o corte é feito a húmido ou com aspiração, se o orçamento já inclui os furos para lava-loiça e placa, e onde ficam as juntas. A primeira é uma questão de segurança de quem trabalha a pedra, porque o aglomerado de quartzo é dos materiais com maior teor de sílica cristalina. As outras duas são as que costumam aparecer depois, como extras.
Quer um número real para o seu caso?
Os valores acima são referências de mercado. O seu orçamento fixo, por escrito, é confirmado depois de vermos o espaço.