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Como escolher um empreiteiro de confiança em Portugal

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Interior de apartamento remodelado, com pavimento novo e paredes acabadas

O receio mais comum de quem vai fazer obras em casa não é o preço. É entregar dinheiro a alguém que desaparece. E não se trata de um medo abstrato: em janeiro de 2024, o idealista.pt/news noticiou que as queixas por burla em obras estão a aumentar em Portugal, referindo que a Associação Nacional de Proprietários recebe queixas diariamente. No Fórum da Casa existe uma discussão ativa sobre fraude por parte de empreiteiro, alimentada por casos reais de quem já passou por isso.

Os padrões que se repetem nessas queixas são dois. O primeiro: o empreiteiro recebe o adiantamento e nunca chega a começar a obra. O segundo, mais difícil de detetar a tempo: a obra arranca, avança algumas semanas e depois pára, porque o dinheiro recebido já foi gasto noutro sítio e não há tesouraria para comprar o material da fase seguinte.

A boa notícia é que quase tudo isto é verificável antes de assinar seja o que for. Este guia reúne o que confirmar, que documentos pedir, que sinais devem travar uma decisão e como cruzar aquilo que o empreiteiro diz com informação independente.

O que verificar antes de assinar

Esta é a lista mínima. Nenhum destes pontos exige conhecimentos técnicos de construção e todos podem ser confirmados antes de existir qualquer compromisso.

  1. Habilitação no IMPIC. Para exercer legalmente atividade de construção em Portugal, uma empresa tem de estar habilitada pelo IMPIC. Consoante o tipo e o valor das obras, essa habilitação toma a forma de alvará, de certificado ou de título de registo. Peça o documento, confirme que o titular e o NIF correspondem exatamente à entidade que vai assinar o contrato (e não a uma empresa parecida do mesmo grupo) e verifique se as categorias e classes cobrem o trabalho que quer contratar.

  2. Seguro de acidentes de trabalho. A equipa que entra na fração tem de estar coberta por seguro de acidentes de trabalho. Peça a apólice e confirme que está válida à data prevista para a obra. Este ponto costuma ser saltado por ser aborrecido, mas é o que separa um acidente em obra de um problema que acaba por aterrar no dono da casa.

  3. Certidões de não dívida às Finanças e à Segurança Social. Uma empresa com dívidas fiscais ou contributivas acumuladas pode simplesmente não ter tesouraria para executar o que contratou, mesmo que a intenção seja boa. Estas certidões são fáceis de obter para quem está regularizado e são um dos indicadores mais diretos de saúde financeira a que um cliente particular tem acesso.

  4. Orçamento discriminado. O orçamento deve estar dividido por capítulos, com quantidades, materiais e valores identificáveis. Um número único a fechar toda a obra não permite comparar propostas, não permite perceber o que está incluído e não permite discutir alterações de âmbito sem renegociar tudo de novo.

  5. Contrato escrito, com pagamentos por etapas. Para qualquer obra de valor relevante, o acordo deve estar por escrito: âmbito, prazo, preço, calendário de pagamentos e o que acontece em caso de trabalhos adicionais. Os pagamentos devem estar ligados a etapas concretas e verificáveis (demolições concluídas, infraestruturas passadas, revestimentos assentes), não a datas de calendário nem a uma percentagem entregue à cabeça.

  6. Referências verificáveis. Fotografias de obras concluídas, moradas de obras que possam ser vistas e, sempre que possível, contacto com clientes anteriores. Uma empresa com anos de trabalho tem isto disponível sem preparação.

Sinais de alarme

Alguns sinais aparecem cedo, muitas vezes na primeira reunião, e valem mais do que qualquer intuição sobre a pessoa que está do outro lado da mesa.

Um desconto grande condicionado a assinar já. É o sinal mais claro de todos, sobretudo quando o orçamento não está discriminado. Uma proposta séria mantém-se de pé durante o prazo de validade indicado. A pressão para decidir na hora existe para impedir que o cliente compare propostas ou verifique documentação.

Orçamento por valor global, sem detalhe. Sem capítulos, sem quantidades e sem materiais identificados, não há forma de saber o que está lá dentro. É também o formato que mais facilmente dá origem a trabalhos adicionais a meio da obra, porque nada ficou definido com precisão suficiente para se poder dizer que estava incluído.

Exigência de adiantamento elevado. Um valor de arranque proporcionado é prática corrente. Metade do valor total antes de haver trabalho executado não é.

A regra que resolve a maior parte dos casos Em qualquer momento da obra, o dinheiro já pago deve corresponder a trabalho que se possa ver no local. Enquanto isso se mantiver, o risco fica repartido; a partir do momento em que o valor pago passa à frente do trabalho feito, passa a estar todo do lado do cliente.

Ausência de morada física e de identificação clara. Empresa sem sede identificável, contactos apenas por telemóvel, faturação em nome de terceiros ou pedido de pagamento para uma conta que não está no nome da empresa. Cada um destes pontos, isoladamente, dificulta qualquer reclamação posterior.

Resistência a fornecer documentos. Quem tem alvará, seguro e certidões em ordem entrega-os no dia seguinte. Respostas evasivas, promessas de enviar mais tarde ou a sugestão de tratar disso depois de a obra arrancar são, na prática, uma resposta.

Preço muito abaixo dos restantes. O orçamento mais barato é um dos erros mais frequentes de quem contrata obras. Uma diferença de 10% entre propostas explica-se por eficiência ou por margem. Uma diferença de 40% quase nunca se explica assim: ou os materiais não são os mesmos, ou a mão de obra não tem a mesma qualificação, ou há capítulos em falta que vão reaparecer mais tarde como custo extra.

Como confirmar o que lhe dizem

Documentos entregues pelo próprio empreiteiro são o ponto de partida, não o fim da verificação. Há três formas de cruzar essa informação com fontes que não dependem dele.

Pesquisar a empresa pelo NIF. A plataforma ObraXRAY permite consultar, a partir do NIF de uma empresa, processos judiciais associados, a situação do alvará e listas de devedores. É a forma mais rápida de perceber se existe historial problemático que não aparece na conversa comercial nem no site da empresa.

Contactar mesmo as referências. Pedir referências e não as usar é um passo que não conta. Vale a pena telefonar a um ou dois clientes anteriores e fazer perguntas concretas: a obra acabou no prazo previsto, o valor final foi o do orçamento, apareceram trabalhos adicionais, a empresa respondeu depois da entrega quando surgiu algum defeito. As respostas a estas quatro perguntas dizem mais do que qualquer portefólio.

Confirmar quem assina. A entidade que emite o orçamento, a que consta do alvará e a que vai receber os pagamentos devem ser exatamente a mesma, com o mesmo NIF. Quando aparecem nomes diferentes ao longo do processo, convém perceber porquê antes de avançar: pode ser apenas uma questão de estrutura societária, mas é também o mecanismo mais frequente para diluir responsabilidade se a obra correr mal.

Olhar para as fotografias com atenção. Fotografias de obras concluídas são úteis se forem verificáveis. Convém confirmar que correspondem a trabalhos da própria empresa, perguntar em que zona foram feitas e em que ano, e pedir para ver uma obra em curso. Uma visita a uma obra a decorrer mostra a organização do estaleiro, a limpeza e a forma como a equipa trabalha, coisas que nenhuma fotografia final consegue transmitir.

O que é, na prática, um contrato bem montado

Depois de toda a verificação feita, a estrutura do acordo é o que continua a proteger o cliente enquanto a obra decorre. Três elementos fazem a maior parte do trabalho.

  1. Preço fechado por escrito antes do arranque, depois de visita ao local. Retira do processo a maior fonte de conflito: a discussão sobre o que estava ou não incluído. Para isso, o âmbito tem de estar descrito com detalhe suficiente para que ambas as partes leiam a mesma coisa.
  2. Pagamentos libertados por etapas verificadas. Alinham o risco com o trabalho executado: cada tranche corresponde a uma fase concluída e conferida no local. Se a obra parar por qualquer motivo, o cliente não fica com um valor pago muito à frente daquilo que está feito.
  3. Um único gestor de projeto a coordenar todas as especialidades. Resolve o problema menos falado das obras de remodelação, a sequência entre ofícios. O eletricista tem de entrar antes do estucador, o canalizador antes do impermeabilizador, e um atraso numa frente propaga-se a todas as seguintes. Quando o cliente é quem coordena pedreiro, eletricista, canalizador e pintor, o custo desses desencontros acaba por ser dele.

É assim que trabalhamos na ApartFix: preço fechado por escrito antes de a obra arrancar, pagamentos por etapas verificadas e um gestor de projeto único, com equipa registada no IMPIC. Não é um modelo exclusivo nosso, e é precisamente esse o ponto: são condições que qualquer cliente pode exigir e confirmar antes de assinar, seja com quem for que decida trabalhar.

Perguntas frequentes

A habilitação para exercer atividade de construção é emitida pelo IMPIC e pode assumir a forma de alvará, de certificado ou de título de registo, consoante o tipo e o valor das obras. O documento tem número, titular e categorias associadas. Peça-o por escrito, confirme que o nome e o NIF coincidem com os da empresa que vai assinar o contrato e verifique se as categorias cobrem o tipo de trabalho contratado.

Quatro, no mínimo: a habilitação do IMPIC, a apólice de seguro de acidentes de trabalho que cubra a equipa que vai estar na obra, as certidões de não dívida às Finanças e à Segurança Social, e um orçamento discriminado por capítulos. Quem trabalha com estes documentos em ordem entrega-os sem hesitar e sem pedir que se avance primeiro.

Porque, na maioria dos casos, o valor mais baixo não corresponde ao mesmo trabalho. Normalmente reflete materiais de gama inferior, mão de obra menos qualificada ou capítulos que ficaram de fora do orçamento e que voltam a aparecer a meio da obra como trabalhos adicionais. Antes de comparar totais, vale a pena comparar âmbitos capítulo a capítulo.

Um sinal de arranque proporcionado é normal. O que não é aconselhável é pagar uma parte substancial do valor total antes de existir trabalho executado para mostrar. O padrão mais seguro é ligar cada pagamento a uma etapa concreta e verificável, de forma a que o valor já pago corresponda sempre, em qualquer momento, a trabalho feito.

Sim. A plataforma ObraXRAY permite pesquisar uma empresa pelo NIF e consultar processos judiciais, situação do alvará e listas públicas de devedores. É um complemento útil aos documentos entregues pelo próprio empreiteiro, porque cruza informação de fontes independentes.

Quer um número real para o seu caso?

Os valores acima são referências de mercado. O seu orçamento fixo, por escrito, é confirmado depois de vermos o espaço.